EM ITABORAI
José Pinto de Castro Filho, de 48 anos, e José Francisco da Silva, de 60. Além do primeiro nome, eles atualmente dividem também um drama: as casas dos dois estão no meio de um terreno em Itambi, distrito de Itaboraí, onde está prevista a construção de unidades habitacionais e uma creche do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Moradores do local há quase 30 anos, ambos alegam que não foram procurados por qualquer autoridade para tratar de desapropriações e indenizações dos terrenos.
- Não sou contra melhorias. Mas não dá para acelerar o crescimento de uns e frear o de outros. Aqui o programa não acelera ninguém. Só breca e derruba - diz José Francisco.
- As nossas plantações já foram destruídas pelas máquinas, acabando com o nosso sustento. Agora só falta passar por cima da gente - disse José Pinto. Medo das máquinas
Com medo de ter a casa colocada abaixo de uma hora para outra, José Pinto levou a mulher e os três filhos do casal para a casa de parentes, em Venda das Pedras, também em Itaboraí:
- Eu sei lá se vou acordar um dia embaixo dos escombros. Melhor protegê-los. Operário confirma
Sem se identificar, um dos funcionários do canteiro confirmou que o trabalho de terraplanagem está acontecendo. Mas a construção das edificações só será possível quando as casas dos dois josés estiverem demolidas.
- A situação deles tem que ser resolvida para que fique tudo certo. De outro modo não vai dar para fazer o trabalho da maneira que está previsto - disse ele.
Pela assessoria de imprensa, o secretário de Obras de $í, Sérgio Roberto Soares, informou que visitará o terreno das obras do PAC ainda esta semana para se inteirar da situação:
- Por estar muito no início do governo ainda não pude ter a total noção de todos os problemas da cidade.
FONTE: JORNAL EXTRA
